Premiações

Ópera dos Vivos quase pôs fim ao tabu das premiações que paira sobre a Companhia do Latão. Foram, salvo engano, 5 indicações. Felizmente, as esclarecidas comissões tiveram o bom senso de não nos premiar. Em 15 anos de existência, o Latão só teve algum reconhecimento desse tipo em Havana, dado pela União dos Escritores e Artistas de Cuba. Por aqui, nunca, nada. Sentiram-se obrigados, agora, a indicar Ópera dos Vivos porque o contrário pareceria imoral. Tolice. Premiar a peça seria reconhecer seu projeto perturbador: é a mais avançada representação do fetichismo da mercadoria no mundo da cultura (no fundo, algo irrepresentável) feita pelo grupo. Seria, ainda, reconhecer a força da dialética em relação aos critérios estético-mercantis vigentes em grande parte do ambiente teatral atual. Por outro lado, para além da efemeridade da experiência da cena, o valor histórico do espetáculo não foi registrado nos jornais nem nos anuários de nossa época também passageira. Dependerá da memória de quem viu, do interesse de pesquisadoras universitárias animadas (a peça inspira dois doutorados em andamento) e dos registros que o próprio Latão organiza. Ruggero Jacobbi escreveu em 1952: “há, algumas vezes, os distribuidores de prêmios anuais criando falsos mitos – os “melhores”, as “revelações” e outras coisas que, se desaparecessem de uma vez de nossa civilização teatral, seria melhor para todos”.

 

 

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