Começo de ensaio (Nota 1, processo P, 2012)

Iniciamos ontem os ensaios de um novo trabalho. Adoto o texto P como ponto de partida. Os primeiros improvisos serão dedicados a constituir as forças mediadoras: formais e temáticas. Como base para a ação central da peça, é preciso recriar seu contexto, seu conjunto narrativo, suas condições históricas. Adiarei por algum tempo o desenvolvimento de papéis. Ao radicalizarmos a compreensão dos aspectos gerais do material, numa perspectiva coletiva, podemos modificar a peça segundo nossos interesses atuais. Quero ampliar o gosto de todos pelas figuras que aparecem pouco mas devem distanciar o caso central e inscrevê-lo numa relação com o mundo do trabalho. A perspectiva deve ser gestual. Assistiremos cenas de Chaplin como modelos. É preciso cultivar a imaginação de grupo e a capacidade da equipe se divertir com o assunto, de modo a combater a expectativa de resultados. Criaremos gestos do Brasil, que podem vir, inclusive, a nos levar para longe do texto P, no sentido de outra peça. Faremos exercícios de realismo e de atitude narrativa, desenvolvidos de modo experimental, sobre as questões críticas da pesquisa. A composição de gestos vivos da história nos levará ao encontro das personagens.

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