Latão no Teatro de Arena

Voltamos a ocupar o Teatro de Arena, 15 anos depois. Foi aqui o início do Latão como projeto de aprendizado, depois das intuições de Ensaio para Danton. Reencontro o jornaleiro da avenida em frente: o rosto mudou pouco, mas traz os cabelos mais escuros. O funcionário que cuidava da infra-estrutura e pintura no passado, o Chico, segue na mesma tarefa. Conta-me  comovido que seus filhos estão na faculdade. Sinto uma alegria de voltar ao palquinho de quatro por seis, agora ensaiando com 9 atores em ação simultânea e tendo que modificar traçados de Ópera dos Vivos. A peça ganha novo sentido neste lugar onde eu recebia de Fernando Peixoto sugestões de leitura sobre Brecht, onde vi Zé Renato partir, onde fomos obrigados, na primeira grande faxina da sala, a desmistificar o trabalho do artista. No sobrepiso atual, duas placas recordam os nomes de Reinaldo Maia e Augusto Boal. O que nos move pelo teatro? Penso neles. Ontem no fim da noite noite, depois do ensaio, Carlos Escher e Nenê pintavam cenários e discutiam a necessidade de outra”demão” após a secagem. Da porta que se volta para o centro de São Paulo, vi na imagem do teatrinho de Arena vários tempos. Hoje abriremos as portas. A ocupação atual tem a finalidade de reunir gente animada, com vontade de aprender. Batizei assim nossa tentativa de “escola”: Núcleo de Estudos Anatol Rosenfeld. Razões de amor ao pensamento. Começo de canto é assobio.

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