A ATRIZ H (Para Helena Albergaria)

Por onde passa, instaura começos

ensaios, de alegria e espanto,

como as velhas divindades

(na mão, uma cicatriz)

No centro móvel da cena,

Ela percorre desvios

Estaca a fala, suspende o rito

Voa o cenário,

inaugura o sentido

No gesto em que tudo já era

no ato em que tudo é princípio

seu despudor é risonho

quase ofensivo

à cata da relação

precisa

Porque sabe o que interessa,

seu papel tipo,

quiçá um estilo,

parece antigo,

inapreensível,

vibra cordas da razão

Poderia ser dito, de modo mais materialista:

“É melancólica essa beleza

Que sabe seu agora”

no olho do vivo

Seu tempo de teatro é exato

como seu corpo:

prático, límpido, nítido, último.

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